Saúde

Proteja sua audição

Música alta e fogos de artifício podem afetar as células ciliadas do ouvido nas comemorações de final de ano

O fim do ano chegou e com ele vêm o Réveillon e seus barulhos. Confraternizações com grandes aglomerados de gente e música alta, fogos de artifício – tudo isso pode causar danos à audição. Mas, calma, não precisa ser antissocial e deixar de ir à festa. Basta tomar alguns cuidados.

Barulho das conversas em tom de voz elevado e a música alta que anima as confraternizações que surgem aos montes durante a virada do ano podem acarretar danos graves à audição. Isso ocorre porque em ambientes fechados o som fica concentrado, não se propaga e, acima de 85 decibéis, causa danos às células ciliadas do ouvido e aos nervos internos da orelha ao longo da vida. “Após quatro horas de exposição a ruídos acima de 90 decibéis, o indivíduo poderá ter sua acuidade auditiva afetada”, diz a fonoaudióloga Isabela Papera, da Telex Soluções Auditivas.

A perda de audição é cumulativa. Pode não se manifestar imediatamente, mas seus efeitos serão sentidos mais tarde. Os principais sintomas de que a audição está prejudicada é a sensação de pressão ou ouvido tampado, dores de cabeça, zumbido ou dificuldades para escutar e entender o que as pessoas falam. Estudos mostram que 95% da população já ouviu zumbido pelo menos uma vez na vida e até 17% apresenta os sintomas.

 

Fogos

Um perigo tradicional das festas de fim de ano são os fogos de artifício, que ajudam a animar as comemorações. Eles podem trazer riscos irreversíveis à audição – além dos riscos em manipulá-los de forma incorreta. O barulho excessivo causado pelos rojões pode provocar uma perda auditiva severa, um trauma acústico com perda de audição uni ou bilateral, temporária ou – nos casos mais graves – definitiva. Isso acontece porque o estrondo dos fogos, principalmente dos rojões, é inesperado. O forte ruído pode chegar a uma intensidade de 140 decibéis. Para se ter uma ideia do quão forte é esse barulho, um avião durante a decolagem produz um som de 130dB.

“O som entra pelo conduto auditivo até chegar à cóclea, onde ficam as células ciliadas do ouvido, que são os receptores sensoriais do sistema auditivo. Com a exposição intensa a altos volumes sonoros, as células vão morrendo e, como não são regeneradas pelo organismo, a audição vai diminuindo de forma lenta, mas progressiva. É o que se denomina Perda Auditiva Induzida por Nível de Pressão Sonora Elevada (PAINPSE). Ela é irreversível e pode se agravar ao longo dos anos”, explica Isabela.

Para evitar que o ouvido seja afetado, o ideal é se manter distante do local da queima de fogos. Em meio à festa, no entanto, se for inevitável ficar próximo destes, Isabela Carvalho, que é especialista em audiologia, aconselha o uso de protetores de ouvido.

“Existem no mercado vários tipos de protetores. Em caso de exposição a um impacto sonoro muito forte, o mais indicado é procurar um médico otorrinolaringologista para avaliar se o dano auditivo causado pelos fogos é temporário ou irreversível”, conclui a fonoaudióloga.

Estima-se que mais de 10% da população mundial tenha algum grau de perda auditiva. Vale destacar que grande parte danificou sua audição por exposição excessiva a sons que poderiam ter sido evitados, como o de rojões.

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