Cidades

“Agentes não dominam cadeia”, dizem os presos do Semiaberto em Aparecida

87 detentos continuam foragidos e dois dos mortos foram identificados por meio das digitais

“Agentes não dominam cadeia.” Essa afirmação dos presos foi feita aos 12 membros da comissão que vistoriou a unidade do Regime Semiaberto em Aparecida, na manhã da última quarta-feira, 3. No relato, os presos informaram que tudo começou com uma ala atacando a outra pelo comando da cadeia. Segundo trechos da ata, detentos da Ala D informaram que a cadeia “é dominada pelos presos das alas B e C”, onde começou a rebelião e houve os assassinatos.

Em outro trecho destacado do relatório, os presos contaram que as duas alas disputam o comando da cadeia e que há duas facções por trás, mas não as nominaram. Ressaltaram que “muitos fugiram de medo em razão dos tiros e ataques, mas que muitos querem cumprir a pena”. Ainda segundo o relatório, três reeducandos da Ala D informaram às autoridades a tensão pela superlotação e abordaram problemas comuns como a falta d´água e de energia.

Ainda consta da ata da reunião o seguinte diálogo com os internos: “Logo vieram os tiros e os integrantes da Ala ‘C’ foram atacados aleatoriamente. Não sabem o motivo do ataque, mas reconhecem que há disputas entre as duas alas. Não admitem a existência de facções. Afirmam que todos estão descontentes com a superlotação e com a demora na análise de processos, inclusive quanto às audiências, que demoram muito para acontecer. Ressaltam o problema da falta d’água.”

No dia do conflito, de acordo com informações repassadas pelo superintendente Executivo de Administração Penitenciária, tenente-coronel Newton Castilho, havia 768 presos nas quatro alas da Colônia Agroindustrial de Regime Semiaberto em Aparecida de Goiânia, enquanto a capacidade é para 500. Além disso, apenas cinco agentes penitenciários faziam a segurança do local, número bastante inferior ao que é recomendado pelo Ministério da Justiça. Até ontem, 87 presos continuavam foragidos.

A inspeção chefiada pelo Tribunal de Justiça de Goiás durou cerca de 1h30 e foi feita a pedido da ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia. O relatório desta vistoria foi encaminhado a ela ontem. Participaram da vistoria, os componentes do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO), do Ministério Público Estadual (MP-GO), da Defensoria Pública e Ordem dos Advogados do Brasil em Goiás – Seção Goiás (OAB-GO).

 

Reconhecimento

Ainda na quarta-feira, 3, a Polícia Civil identificou um dos nove detentos que foram mortos durante o motim. As vítimas eram os presos Pablo Henrique Alves da Silva, que, segundo familiares, estava preso havia dois anos por furto. E no final da tarde de ontem, mais dois foram identificados, sendo eles Ravel Nery de Amorim e David de Oliveira Borges. Os corpos estavam carbonizados, mas foi possível fazer a identificação por meio da digital. Outros dois corpos também devem ser identificados por meio da digital; já três presos devem ser reconhecidos apenas por meio de exame de DNA ou arcada dentária. (Daniela Ribeiro)

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