Política

Lula depende de decisão judicial para ser candidato

Julgamento que poderá torná-lo inelegível ocorrerá no próximo dia 24, no Tribunal Regional Federal da 4ª Região

O pré-candidato a presidente que lidera todas as pesquisas de intenção de voto depende de uma decisão judicial, que deve sair este mês, para saber se poderá ou não concorrer ao pleito deste ano. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi presidente por duas vezes consecutivas, entre 2003 e 2010, e já possui uma condenação pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro pela acusação de ter sido beneficiado com um tríplex em um condomínio em Guarujá (SP).

Ele foi condenado a 9 anos e 6 meses de prisão em regime fechado pelo juiz federal Sérgio Moro, em 2017. O desembargador João Gebran Neto, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), relator do caso do tríplex, concluiu o voto sobre a sentença imposta ao ex-presidente por Moro. Caso Gebran mantenha a condenação, Lula não poderá ser candidato, pois se enquadraria na Lei da Ficha Limpa.

O deputado federal Paulo Pimenta (RS), que assumiu a liderança da bancada do PT na Câmara dos Deputados na terça-feira, 2, disse que vai iniciar uma jornada de mobilização em todo o País, que vai culminar no dia 24, quando o ex-presidente será julgado pelo TRF-4. Para ele, eleição sem Lula é fraude e ilegítima. “Lula será candidato em qualquer cenário”, afirmou durante entrevista coletiva. O jornal O Estado de S.Paulo publicou ontem a informação de que Luiz Inácio teria dito aos dirigentes do PT que comparecerá ao julgamento.

O ex-presidente afirmou em novembro do ano passado que o PT não vai abrir mão de um candidato que tem perspectivas de ganhar para tentar criar um candidato novo. Ele ressaltou ainda que a sigla entende que nesse momento a sua candidatura é a única coisa que pode ajudar o Brasil.

 

História

O pré-candidato nasceu em Caetés, Pernambuco, no dia 27 de outubro de 1945. É ex-sindicalista, ex-metalúrgico e cofundador e presidente de honra do PT. Ele bateu o recorde de popularidade durante o mandato de presidente, segundo o levantamento Datafolha, no auge da execução de programas sociais como o Bolsa Família e o Fome Zero, que foram lançados durante seu governo.

No entanto, Lula também deixou um legado negativo. O petista é réu em sete ações penais, ao menos três delas pela Operação Lava Jato, uma pela Operação Janus e uma pela Operação Zelotes. Sua vida pública se dividiu entre vitórias e derrotas. Em 1986 foi eleito deputado federal por São Paulo com a maior votação para a Câmara Federal até aquele momento. Três anos mais tarde aconteceu a primeira eleição direta para presidente desde o golpe militar de 1964. O ex-metalúrgico se candidatou ao cargo máximo do Executivo e ficou em segundo lugar.

Em 1994, o petista voltou a se candidatar à Presidência e foi novamente derrotado, o que se repetiu em 1998. Na quarta disputa, Lula foi eleito presidente do País, em outubro de 2002, e se reelegeu em 2006. (Charles Daniel)

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