Cidades

Rebelião em presídio do município deixa nove mortos e 14 feridos

Cerca de 100 detentos ainda estão foragidos, mas superintendente diz que não há motivos para pânico e que as forças de segurança trabalham para recapturá-los

Uma briga entre grupos rivais por conta de tráfico de drogas foi o que motivou a rebelião ocorrida no início da tarde desta segunda-feira, 1º, na Colônia Agroindustrial de Regime Semiaberto de Aparecida de Goiânia. Durante coletiva à imprensa na manhã de ontem, o superintendente Executivo de Administração Penitenciária, tenente-coronel Newton Castilho, afirmou que os presos da Ala C abriram um buraco na parede, por onde invadiram as alas A, B e D. No momento do conflito, havia 768 detentos bloqueados, ou seja, que tiveram regressão da pena e ainda não têm carta-trabalho, nas quatro alas e apenas cinco agentes prisionais.

“A Ala C invadiu as outras quatro alas por um buraco feito na parede e dali iniciaram os atos de barbárie contra outros rivais no ambiente penitenciário, por conta de divergências entre atuação no mundo do crime e tráfico de drogas”, destacou o superintendente, que afirmou que a estrutura da unidade é frágil, por isso o buraco na parede foi aberto rapidamente e não deu tempo de parar a ação. “A estrutura não oferece segurança adequada, não há concreto e ferragens suficientes para impedir que o buraco fosse feito rapidamente”, salientou o coronel Castilho.

Nove presos morreram e 14 ficaram feridos durante a rebelião. Após os conflitos e retomada da unidade penitenciária, segundo o superintendente, foram encontradas três armas de fogo, sendo um revólver calibre 38 e duas pistolas de 9mm, e diversos objetos cortantes. Duas alas ficaram prejudicadas com a ação dos detentos e passarão por reforma, de acordo com o superintendente. “A curto prazo, vamos restabelecer as obras de reparo nas unidades afetadas e 153 detentos foram transferidos para o Núcleo de Custódia e também para o módulo de segurança, o que desafogou um pouco a superlotação no local”, relatou.

Além dessas medidas, o superintendente pontuou que está em andamento a contratação de 1,6 mil agentes penitenciários temporários e ainda medidas que visam a inauguração de cinco novos presídios em Anápolis, Formosa, Novo Gama, Águas Lindas e Planaltina; publicação de edital para novo concurso e aceleração da terceirização e cogestão das unidades prisionais em Goiás. “Na reunião com o governador agora pela manhã {ontem pela manhã], conversamos sobre a questão de acelerar o projeto de regionalização das unidades penitenciárias do Estado, bem como a gestão de vagas, e agilizar a conclusão de obras em andamento dos cinco presídios.”

 

100 presos foragidos

Durante a rebelião, fugiram da unidade do Semiaberto 243 detentos; desses, 143 foram recapturados pela Polícia Militar em ações conjuntas com forças de segurança e cerca de 100 continuam foragidos. “99 presos voltaram voluntariamente para a unidade, tendo fugido apenas durante os ataques para até mesmo manter sua integridade física”, informou o superintendente Newton Castilho, que disse que as buscas pelos foragidos permanecem. “Equipes de toda a força de segurança estão no combate. Todos estão atentos, com prioridade de atuação, mas não há motivo para pânico”, sublinhou o coronel.

 

Reconhecimento

Os corpos dos nove detentos que foram mortos durante os conflitos deste dia 1º foram encaminhados para o Instituto Médico Legal (IML). Para o reconhecimento da identidade dos mesmos, será preciso análise feita pela Polícia Técnico-Científica por meio de arcada dentária ou DNA. Com relação à lista de recontagem dos presos que estão na unidade e também dos foragidos, até mesmo para dar tranquilidade aos familiares, o coronel Castilho informou que até o final de ontem, 2, já teriam a listagem completa. Dos 14 feridos, seis ainda continuam internados nos hospitais de Urgências de Aparecida (Huapa) e de Goiânia (Hugo).

 

Crueldade

De acordo com o delegado responsável pelas investigações dos Homicídios, Eduardo Rodovalho, o cenário no presídio após a rebelião era desolador. Duas alas foram quase que totalmente destruídas pelo incêndio provocado pelos detentos com o uso de colchões. O corpo de nove presos foram totalmente carbonizados, sendo que dois foram degolados e um deles teve as vísceras retiradas e expostas. O delegado informou ainda que os ferimentos nos presos mortos e nos que estão hospitalizados foram causados por armas brancas. (Daniela Ribeiro)

 

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